Diario do Nilton- Dia 05

Acordei e coloquei um óculos escuro para tomar o café. Uma olheira assustadora, fruto de duas horas de sono. Mas estávamos muito animados para a atividade do grupo 4 e a atividade pratica a tarde.

Fomos juntos para a Universidade e tivemos dificuldades para encontrar o local novamente. El Manar University é bem grande, mas a organização poderia ter se esmerado melhor no mapeamento e na sinalização, observação que justifica a importância dos mapeamentos para os movimentos.

Conforme discutimos ontem até altas horas, a metodologia escolhida foi o Word Coffe, mas sem coffe, rssss. Dividimos o grupo em 4 subgrupos que foram passando por 4 mesas de discussão, cada uma com um tema, que era apresentado por um facilitador auxiliado pelo tradutor.

A diversidade é muito grande então chegamos a ter tradutores para o Árabe, para o Francês e para o Inglês, pois a língua utilizada era o Portunhol.

Foi interessante demais, pois cada subgrupo analisava o todo através de uma dinâmica de detectar o problema, identificar as soluções falaciosas de governos e corporações e apontar soluções de fato viáveis. Um exercício complexo que encontrou algumas resistências, mas foi realizado a contento.

Terminada a atividade dos subgrupos retomamos o grupo geral e debatemos por mais um tempo, com a abertura para falas.

O bacana e que não havia uma mesa diretora, o Word coffe é uma metodologia horizontal, através da qual todos participam com mesmo peso e não há uma hierarquia mas uma coordenação compartilhada. Algumas angustias foram colocadas e frente a elas resolvemos terminar a atividade com um samba de esperança. Escolhi a musica Juízo final do Nelson do Cavaquinho e a galera cantou feliz. É incrível como a arte consegue nos atingir tão profundamente e nos impulsionar para a transformação.

Entao vamos gente, vamos caminhando, cantando, seguindo a canção, sonhando que o Sol há de brilhar mais uma vez e a luz há de chegar aos corações!!!

Corremos mais um pouco, pulamos o almoço por que tínhamos, eu Bruno e Camila, que montar toda a ATIVIDADE PRATICA DE CARTOGRAFIAS DO FUTURO.

Decidimos fazer o mapa no chão e dividir em 3 grupos que discutiriam os problemas em sua região fazendo ícones e legenda para colocar no mapa, tendo, assim, a primeira experiência horizontal de cartografia.

Conseguimos arrumar tudo no tempo correto. Estavamos para começar quando foi sugerida uma mudança na atividade, e nós, horizontais que somos, abrimos mão das nossa idéias e embarcamos no novo proposto. Foi uma experiência muito positiva, ver pessoas do mundo inteiro se ajudando, propondo soluções e construindo um mapa dos movimentos sociais, não definitivo, mas uma atividade mesmo, quase lúdica, para que as pessoas ali entendessem a importância de mapeamentos horizontais. Para exemplificar experiência positiva esteve conosco o Ilton Tuchá cujo movimento social indigenista fez um mapeamento das comunidades no Mato Grosso do Sul e tal material tem servido para a ONU pressionar  o governo brasileiro com relação a políticas publicas de acesso a terra a povos originários.

Ilton fez um canto indígena, arrepiando a todos os presente.

Em seguida, para terminar a atividade prática preparamos letra para o grupo cantar  a mesma musica em 3 diferentes línguas, deixando clara uma mensagem de horizontalismo e respeito a diversidade. Cantamos Força da Paz e foi uma catarse total.

De fato a arte ajuda a compreensão de valores humanos e humanizadores. Terminamos a atividade com um grande sorriso, exaustos, mas plenamente realizados. Não pela atividade exitosa, mas principalmente por contribuir, com as nossas ferramentas para a construção de um mundo melhor!

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