Fórum Social de São Paulo: outra cidade é possível

Reportagem na Revista Época.

Por Milton Jung

O que fazer em nossa cidade para que o interesse público e os direitos do cidadão e cidadã prevaleçam sobre o interesse do dinheiro e do lucro? Dez mil pessoas estarão reunidas, no fim de outubro, em busca de respostas para esta que será a questão central do Fórum Social de São Paulo. É a primeira vez que uma cidade brasileira traz para dentro do seu ambiente a mesma filosofia que move o Fórum Social Mundial, que se consagrou por pensar, discutir e refletir temas que privilegiam o cidadão e não o capital.

São Paulo é a sexta maior cidade do planeta e somada a população da região metropolitana somos mais de 19 milhões de pessoas. Apenas na capital, temos sete milhões de carros, além daqueles que passam ou vem para cá, que se transformam na principal fonte de poluição do ar. E com a frota crescente não é de se espantar que o número de dias em que a qualidade do ar ficou imprópria aumento 146% nos primeiros sete meses de 2011 na comparação com o mesmo período de 2008. Tudo isso, claro, impactando ainda mais a rede pública de saúde.

Produzimos 17 mil toneladas de resíduos por dia e os dois aterros sanitários que funcionavam na capital estão entupidos, sem capacidade de receber um caminhão sequer. Temos de exportar os dejetos para cidades que ficam na Grande São Paulo, região onde as prefeituras ainda permitem o surgimento de lixões, locais que “abastecem” cerca de 17 mil pessoas, infelizmente.

Na certeza de que os problemas da cidade de São Paulo não se resolvem apenas nela, o Fórum abre espaço para a Região Metropolitana, reforçando a ideia de que é necessário ampliar o diálogo entre os 39 municípios e encontrar pontos convergentes para atender as demandas da sociedade. O encontro será nos dias 29 e 30 de outubro, na sede da Faculdade Zumbi dos Palmares e nos espaços verdes do Esporte Clube Tietê, na zona leste.

O Fórum é aberto a participação popular, sem restrição, e mesmo que apresente alguns temas de discussão – emprego, justiça, mobilidade, moradia, iluminação pública, entre outros – , convida o cidadão e as organizações sociais a proporem outros eixos que sejam capazes de responder a questão inicial.

Senti-me provocado pela pergunta central do Fórum e aproveito para oferecer minha colaboração, salientando que, mesmo com a complexidade do problema, ainda acredito em respostas simples para a melhoria do ambiente urbano. Por isso, sugiro que para impor o interesse público e os direitos do cidadão no desenvolvimento da cidade comecemos por escolher melhor nossos representantes, elegendo apenas aqueles que se comprometam com esta ideia. E, alerto desde já, que não devemos nos iludir com tratados e cartas assinadas – estes serão muitos na eleição municipal de 2012. Precisamos, sim, identificar nos planos de governo, nas atitudes que tiveram até aqui na vida pública e na criatividade das ideias aqueles candidatos com capacidade de transformar a cidade. Somente assim poderemos acreditar que outra São Paulo é possível, necessária e urgente – como reforça lema do Fórum Social de São Paulo.

http://colunas.revistaepocasp.globo.com/adotesp/2011/09/29/forum-social-de-sao-paulo-outra-cidade-e-possivel/

Sobre Bruno Franques

Bruno Franques é sociólogo, bacharel em Ciências Sociais pela USP. Mestrando em Educação, Comunidade e Movimentos Sociais na UFSCar Sorocaba. Cursou também Comunicação Social e Educomunicação. Colaborador do Instituto Physis (institutophysis.wordpress.com), é membro da Rede de Facilitadores de Fóruns Locais (forunslocais.net); do Grupo de Facilitadores do Fórum dos Povos (forumdospovos.net); do Fórum Social São Paulo (forumsocialsp.org.br); do Fórum Social Sorocaba (forumsocialsorocaba.org.br); do Coletivo Coolmeia SP (coolmeia.org); do Grupo de Articulação Regional da Feira de Orgânicos de Sorocaba (garfos.org.br), do Núcleo de Educação Infantil Jardim do Livre Sonhar (livresonhar.org.br), do programa de televisão Diálogos Comunitários (dcufscar.wordpress.com), da Campanha Nacional Contra os Agrotóxicos e pela Vida (contraosagrotoxicos.org) e da Coalizão por um Brasil Livre de Usinas Nucleares (brasilcontrausinanuclear.com.br). Pesquisador vinculado ao Grupo de Pesquisa em Educação, Comunidade e Movimentos Sociais, da UFSCar Sorocaba (comov.wordpress.com) e ao Grupo de Pesquisa em Comunicação e Movimentos Sociais (GPCOMS). Articulador regional da Rede SANS – Rede de Defesa e Promoção da Alimentação Saudável, Adequada e Solidária (redesans.com.br).
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